A Justiça de São Paulo condenou o governo
estadual a efetivar no cargo todos os 5.526 soldados temporários
existentes hoje na Polícia Militar e a acabar com esse tipo de
contratação provisória.
A sentença ainda abre brecha para que pelo menos 20 mil ex-PMs busquem na Justiça a reintegração ao cargo.
Os policiais temporários são contratados por um ano, com renovação por mais um.
A decisão é de primeira instância e o governo recorreu, mas ele terá
dificuldades para mudá-la porque o Tribunal de Justiça, em 2009,
considerou inconstitucionais as leis usadas para a contratação.
Os PMs temporários foram criados pelo próprio governador Geraldo
Alckmin (PSDB) em 2002, com o nome de Serviço Auxiliar Voluntário.
O objetivo era tirar dos quartéis PMs envolvidos em serviços
burocráticos e deslocá-los para a rua. "Propiciando a melhoria do
policiamento ostensivo no nosso Estado", disse, então, Alckmin.
De acordo com levantamento feito pelo TCE (Tribunal de Contas do
Estado), conforme a Folha revelou em julho, nos últimos anos, ocorreu
justamente o inverso.
Em 2008, havia 60.347 PMs atuando nas ruas; no ano passado, eram
57.630. Já o efetivo administrativo aumentou de 20.542 para 23.301.
Para o juiz Henrique Rodriguero Clavisio, da 10ª Vara de Fazenda
Pública, que determinou o fim do PM temporário, o governo desvirtua a
lei do voluntariado (9.608/98).
Segundo ele, o Ministério Público do Trabalho tem razão quando diz
que o que há em São Paulo "nada tem a ver com o serviço voluntário".
"Trata-se de uma autêntica relação de emprego mascarada para ocultar
um interesse bem mais vil, qual seja, atender aos interesses de aumento
temporário do contingente policial, com a diminuição de custo de
pessoal", disse.
ARMADOS
Outro desvirtuamento da lei apontado pelo juiz é o uso de soldados
temporários em patrulhamentos e na guarda armada de quartéis. As
atividades teriam que ser administrativas, diz a sentença.
De acordo com o deputado estadual Olímpio Gomes (PDT), que é major
da PM, é muito comum o uso de soldados temporários na guarda de unidades
policiais e há até casos de utilização na ronda escolar. "E, se for
baleado, nem seguro de vida tem", disse.
"O soldado temporário tem o ônus da PM, responde a processos
disciplinares, inclusive, mas não tem bônus. Também não tem férias, 13º
salário, nada", diz a advogada Mara Cecília Martins dos Santos, que
prepara ações para tentar reintegrar ex-PMs.
(Folha de SP - Cotidiano - por Carolina Leal e Rogério Pagnan - 27/08/2012)
E QUE O SOL BRILHE PARA TODOS, A JUSTIÇA SE FAÇA PRESENTE, O BOM DIREITO SEJA PRATICADO
S.PIQUERI
ARARAQUARA E REGIÃO
As postagens e pareceres aqui presentes nem sempre refletem minha opinião pessoal. Todos os textos que não forem de minha autoria terão os devidos créditos de seus autores originais.
Este local não se destina, em absoluto, a prestar consultas juridicas virtuais, sendo meu primordial interesse a divulgação de leis, sites de interesse jurídico e artigos de interesse da população em geral.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
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